A Educação Somática é um campo teórico e prático que se interessa pela consciência do corpo e seu movimento, e sua relação entre consciência e aprendizado a partir da experiência.
Com a prática regular dos exercícios, a pessoa torna-se mais atenta a seus próprios movimentos, gestos e posturas cotidianas, tornando-se capaz de reconhecer quais geram desconforto, podendo então evitá-los ou contorná-los.
Um dos objetivos da Educação Somática é levar o aluno a tomar contato com os aspectos subjetivos de seu corpo, entrando num estado de exploração criativa, percebendo suas ações, emoções e atitudes corporais como referência do seu aprendizado.
O principal é o como se aprende, e não apenas sobre o que se aprende.
"Se você sabe o que faz, pode fazer o que quiser"
Moshe Feldenkrais
Moshe Feldenkrais
Como orientar os alunos de Educação Somática
§ Auxiliando, primeiramente, o aluno a identificar o que ele faz;
§ Auxiliando, a seguir, o aluno a identificar como ele faz, através de suas organizações somáticas;
§ Iniciando um processo, dentro do qual se desintensificam e se desorganizam as formas previamente intensificadas;
§ Orientando os alunos a observarem e receberem de volta os efeitos desta desorganização, percebendo as imagens, sentimentos, lembranças, etc.
Consciência do processo de mudança
É fundamental que o aluno consiga identificar em seus movimentos aqueles que não utilizam o corpo funcionalmente (movimentos “incorretos”). Tomando consciência de seu padrão de movimento inicial, é importante que o aluno perceba, o máximo possível, como se dá o processo de reorganização em seu corpo. É comum durante este processo surgir uma sensação de desconforto , sendo muitas vezes difícil de “abrir-mos mão” dos padrões que temos para outro que não sabemos o que é.
É importante reconhecer as partes do corpo que não apresentam ligação direta com o movimento executado e, conseqüentemente, perceber os esforços desnecessários, obtendo finalmente a redução da força muscular.
Antes de executar os exercícios:
- convida-se o aluno a concentrar a atenção em si mesmo;
- propõe-se imagens para sensibilizar partes “mortas” e liberar articulações;
- ajuda-se o aluno a identificar e perceber onde está concentrada a força para então espalhá-la por todo corpo, com a ajuda da respiração;
- encontrar a fluência do movimento, percebendo a auto-organização natural (quando a movimentação “travar”, procurar conscientizar/concentrar no eixo do movimento, que o tornará mais fluido);
- tomar consciência da pélvis (seu desenho no espaço, se está sendo utilizada da melhor forma, se está com “peso”);
- integração dos membros com o movimento;
- perceber os vetores que podem ser utilizados;
- selecionar os vetores que se quer trabalhar;
- identificar as oposições;
- intensificar as oposições – como se fossem a origem do movimento;
- registrar a mecânica da 'nova descoberta';
- deixar o corpo agir na nova dinâmica, sem tanta interferência (só o tônus muscular necessário para manter os vetores desejados alinhados)
- ajudar o aluno a não apenas realizar o exercício, e sim experimentá-lo com o corpo.
Importância da respiração
O espaço corporal está ligado à respiração. Ela é a nossa troca com o mundo. A respiração ajuda na visão holística do corpo (maior que a soma de suas partes isoladas). Através dela podemos perceber as musculaturas mais profundas.
Não devemos deixar que a respiração se torne um procedimento mecânico. A respiração deve ser entendida como um processo que sensibiliza o aluno para a forma interna e externa do tronco e para áreas de tensão que bloqueiam as conexões e relações entre os segmentos corporais. Os alunos aprendem a utilizar a respiração para se liberarem de tensões em excesso e para reforçar e iniciar o movimento sem força excessiva. O trabalho de respiração também favorece o “estar centrado”, preparando o aluno para atividades subseqüentes.